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África Brasil, de Jorge Ben, chega aos 50 anos como marco do samba-rock

Grupo grande de pessoas sorrindo em foto vista de cima

O violão que tinha acompanhado Jorge Ben desde "Mas que Nada" ficou de lado. Em 1976, o cantor e compositor carioca entrou no estúdio da gravadora Phonogram, no Rio de Janeiro, com uma guitarra elétrica e uma banda grande, e saiu de lá, em cerca de dez dias de gravação, com África Brasil. Lançado pela Philips naquele ano, o disco completa 50 anos em 2026 e segue na lista dos álbuns brasileiros mais citados por músicos, DJs e colecionadores do mundo todo, sempre lembrado como um marco do samba-rock e do encontro entre samba, funk e referências africanas.

O contexto: um artista em transformação

Jorge Ben já era um nome consolidado em meados dos anos 1970. Desde a década anterior, havia criado uma batida própria de violão, que misturava samba, bossa nova e o rhythm and blues americano, e emplacado canções gravadas por muita gente. Dois anos antes, em 1974, lançara "A Tábua de Esmeralda", disco acústico, místico, cheio de referências à alquimia, hoje também considerado obra-prima.

"África Brasil" foi o movimento oposto. Em vez da delicadeza do violão, a eletricidade. Em vez do clima introspectivo, a festa. O disco dialoga com o funk e o soul que dominavam as pistas no Brasil e no exterior, com o movimento Black Rio, que reunia multidões em bailes nos subúrbios cariocas, e com um interesse crescente pela história e pela cultura africana.

A guitarra no lugar do violão

A mudança de instrumento é o dado técnico mais comentado do disco. Com a guitarra, a levada característica de Jorge Ben ganhou mais peso e agressividade, sem perder o balanço sincopado do samba. A base rítmica é pesada, com percussão abundante, baixo marcante, metais e coro, num som denso e contagiante.

Essa combinação de guitarra elétrica, batucada e groove funkeado se tornou uma das referências do que se convencionou chamar de samba-rock, estilo dançado em pares nos bailes de São Paulo e do Rio e até hoje cultivado por DJs e dançarinos.

As faixas centrais

O disco reúne onze faixas, algumas inéditas e outras regravações de canções anteriores em versão eletrificada. Entre as mais lembradas:

A presença de Zumbi, de Xica da Silva e de um herói africano do futebol mostra como o álbum coloca personagens negros no centro da narrativa, com orgulho e sem pedir licença.

Por que o disco segue citado

A trajetória internacional de "África Brasil" ajudou a mantê-lo vivo. No fim dos anos 1980, "Umbabarauma" entrou numa coletânea de música brasileira organizada para o público de língua inglesa, o que apresentou Jorge Ben a uma nova geração de ouvintes fora do país. Desde então, o disco circula entre DJs de funk, soul e música global, e suas faixas aparecem em sets, remixes e samples.

No Brasil, o álbum é referência para bandas que misturam samba, rock e música negra americana, e para a própria cena do samba-rock, que reconhece nele um dos seus pilares. Críticos costumam incluí-lo nas listas de melhores discos da música brasileira.

Meio século depois, a força de "África Brasil" continua na combinação de três coisas: uma banda afiada, um compositor no auge da criatividade e a decisão de afirmar a herança africana com alegria, sem abrir mão da pista de dança.

Perguntas do dia a dia

Em que ano foi lançado África Brasil?

O disco foi lançado em 1976 pela Philips, depois de gravado em cerca de dez dias no estúdio da Phonogram, no Rio de Janeiro.

Qual a principal mudança do disco em relação aos trabalhos anteriores de Jorge Ben?

A troca do violão pela guitarra elétrica, que deu às canções um peso mais próximo do funk e do rock, sem perder o balanço do samba.

Por que África Brasil é ligado ao samba-rock?

A mistura de guitarra elétrica, batucada e groove de funk é uma das bases do estilo, dançado em pares em bailes de São Paulo e do Rio de Janeiro.


Afropolitan, 2026.